Quando um Presidente admite que o plano que conduz “não é um bom plano” e que resulta numa “manta de retalhos”, o mínimo que os Limianos esperam não são desculpas - são soluções.
O que lemos nestas últimas declarações é profundamente preocupante!
O Presidente da Câmara reconhece que o novo PDM não corresponde às necessidades do território. Reconhece que a legislação não se ajusta à realidade local. Reconhece que o plano ficou marcado por condicionantes externas e sucessivos pareceres desfavoráveis ao longo de mais de uma década.
Mas perante esse reconhecimento não vemos liderança. Vemos fuga à responsabilidade!
Em vez de assumir o dever de defender o território com firmeza, prefere justificar-se com a lei, com as entidades tutelares e com o contexto. Em vez de responder às críticas construtivas - vindas do anterior Presidente da Câmara e do PSD - procura desviar o debate para argumentos políticos e interpretações que nada acrescentam à qualidade do plano.
Mais grave ainda: apresentar como “vitória” o aumento de 300 hectares de construção (onde inclui cemitérios, igrejas e outras zonas de uso público...) não responde à questão essencial: que território queremos para as próximas gerações?
Quantidade não substitui estratégia. Crescimento sem visão não é desenvolvimento!
Quando existem mais de 5.500 reclamações num processo desta dimensão, isso não é sinal de sucesso. É sinal de inquietação. É sinal de preocupação. É sinal de que a população sente que algo não está bem.
O concelho não precisa de explicações tardias. Precisa de liderança clara. Precisa de um Presidente que não se esconda atrás das circunstâncias, mas que assuma responsabilidades quando o futuro do território está em causa.
O PDM é um dos documentos mais decisivos para o destino de Ponte de Lima nas próximas décadas. Não pode ser conduzido com resignação nem apresentado como inevitável.
A história ensina-nos que os momentos mais decisivos exigem coragem política.
E hoje, o que mais falta é precisamente isso.
Comentários